terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pai...

O meu pai voltou recentemente de Itália. Acho que… é uma boa altura para começar a dar-me mais com ele. Vou tentar fazer com que ele volte a ser o que era dantes. Mas é compreensível… afinal ele esteve fora três anos. Não pareceu muito tempo enquanto ele estava longe. Mas, provavelmente seria porque eu já não… estava tão ligada a ele. Ele não parecia o mesmo quando voltou. Não seria o mesmo? Mas eu aceitei a sua diferença. Seria uma espécie de aventura, como ele costuma dizer. E eu acho que posso associar uma coisa com a outra. Queria voltar a sentir que estava tudo completo. E não vou desistir enquanto não conseguir. Porque é como um barco. Um barco… de papel, como aqueles que ele faz nos restaurantes. Que vai á deriva pelo rio Tua… e não sabemos onde vai parar. É um mistério. A aventura dele. Batendo nos seixos mais aguçados, e a desfazer-se quando a água se agita mais. E sabemos que a viagem nunca acaba. Porque não é forte o suficiente. Mas eu sei que não és vazio por dentro, … ou mesmo feito de papel. E sei que te aguentas. Porque eu quero. E porque tu gostas de ver as pessoas felizes. Por isso, aguenta. Vai apreciando o que perdeste estes anos. As árvores novas que cresceram, as pessoas que mudaram… vem ver a tua terra, a avó tem muitas saudades tuas. Por isso vive a tua vida, mas aguenta. Só um bocadinho. Só para eu ficar feliz. O relógio não funciona. Já não faz o tic-tac que tu gostavas. Ou que te irritava? Mas o teu coração continua a bater. Faz um barulho muito… repetitivo… mas… é interessante quase que me faz… adormecer. Como quando era pequenina e me pegavas ao colo, ou me trazias da banheira e fazias umas caras para eu me rir. E depois… vestia o pijama. E os meus olhos fechavam-se. E o silêncio e o escuro abraçavam-me. E eu, completamente inocente, adormecia. E o vazio instala-se. E rodeava-me… Mas eu quebrava tudo. Tinha pesadelos, e ia dormir para o teu lado. Pesadelos que te contava mais tarde. Coisas sem sentido… mas que tu ouvias sempre. E depois até achavas piada, até gostavas de ouvir. Achavas, divertido. Mas nem sabes o medo que eu tinha… Agora o que são pesadelos? São sangue. Sempre que tento adormecer penso em coisas macabras e mórbidas antes… e fico com medo de adormecer. Porque não estás lá… Mas agora estás, e não vou desistir da minha missão. Ter-te de volta!


Dedicado ao meu pai, adoro-te muito!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Não te quero esquecer...

O sangue que suja as minhas mãos. É o teu. Pelo menos tento fingir que é. Porque a dor, sou eu que sinto. E quando olho de verdade. Vejo o mar vermelho que saiu de mim. Do meu interior. Do interior do vazio que deixaste. E eu não queria. Estava com inveja. E estava a tentar com que tudo se endireita-se. Mas fiz tudo mal. E correu tudo mal. E ficou tudo como não devia estar. Tu partiste. E o meu coração continua a sangrar o que eu sentia por ti. Porque o que eu devia sentir por ti não estava certo. Porque tu não mereces. Porque eu não mereço. Começo a ficar fraca. Preciso que voltes. Não quero morrer assim. Deixo de ouvir. Só os teus gritos silenciosos na minha cabeça. O que queres? Pára de gritar. Eu não tive culpa. Quero que voltes. Quero voltar a ouvir. Quero voltar a respirar. Porque o ar se torna tão pesado á medida que ficas mais longe. Eu quero mais. Mais da tua presença. E quando me deste o que eu queria, eu afastei-te. E continuei a fazê-lo. Porque eu queria esquecer tudo. Tudo o que senti por ti. Porque eu não queria ser como as outras. Mas… eu não negava que não gostava de ti. E sei que te tratei mal. E agi muito mal. Mas eu não tive culpa. Eu não sabia. Não sabia que ias partir. E agora que todo o meu sangue se está a espalhar pelo chão… o que devo fazer? Continuar á procura de ti? Não. Vou esquecer-te. E nunca mais pensar em ti. Porque tu deves estar a fazer da tua vida aquilo o que queres. E eu continuo a pensar que podíamos estar juntos. Porque sou tão superficial quanto isso. Porque não penso nos outros. E apenas digo que quero. E quando o meu coração voltar a preencher-se… Eu não te vou querer. Porque eu continuo a ter amigos. E não preciso de alguém para amar. E não preciso de ti nunca mais. E continuo a pedir ajuda. E vou continuar a esperar. Para que todo o sangue perdido em batalha com os sentimentos, volte. Volte para mim. Para eu poder relembrar-te. Porque a verdade… é que eu não te quero esquecer. Mas sinto-me obrigada a fazê-lo. Para meu bem. Para o teu bem. Para não ter de sofrer quando não pensas como eu. Porque tu achas que não precisamos de estar juntos. E não preciso de largar a tua mão. Mas… Enquanto pairamos no escuro… Não há fundo. O que acontece se eu largar? E tu sorris e fico eu sozinha. Mas desta vez a cair. Porque não tenho a tua mão para me agarrar. E quando bater no fundo. Vou parar de sangrar. E vou cair no esquecimento. E esquecer tudo o que passámos. E tudo o que vimos e não vimos. E de tudo do que nos culpámos. E eu receio. O que possa acontecer. O que vai acontecer? Quando o vazio acabar eu conto-te.